Mostrando postagens com marcador Textos e crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Textos e crônicas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, maio 14, 2008

Miss Imperfeita, muito prazer!

Recebi este texto por e-mail e achei fantástico. Assim, compartilho com todas vocês. Enjoy!

Miss Imperfeita, muito prazer!
por Martha Medeiros

'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer!
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.

Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.

É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!

Tempo para uma massagem.

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de
produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um
dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga.
Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado

(ok, esqueça o rosto lavado)

podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.

quarta-feira, julho 11, 2007

Ensaio sobre a rotina

Amélia era moça direita, assim bem bela
Prestimosa, fazia as tarefas e até bolo de canela
Elegante, estudiosa e polida era ela
Moça direita, prometida a Paulo Nozella
Este sim, o sonho de qualquer donzela
Sua mãe sentia grande orgulho dela, sua bela Amélia

Até que Amélia, esta bela e jovem donzela
Curiosa sobre a vida ao redor dela
Cansada de cerzir flanela
E de rimas banais sobre ela
Resolveu fugir de casa

Na primeira esquina, conheceu Carlão
Jovem assim, sem classe e sem rima
Barba mal feita e bafo de cerveja
Homem sem estudo, homem do mundo
E ela se apaixonou

Esta vida de desregrada aventura
Cheia de gente impulsiva e sem ternura
Encantou a jovem Amélia
Que conheceu da maconha à pamonha
Do pompoarismo ao populismo
Da balada GLS às moças sem catequese

Até que um dia, Amélia acordou vazia
Carlão dormia ao lado, chapado de ácido
E a novidade já não a divertia
Ela tinha saudade da vida que tinha
Concluiu que rima por rima, ficava com a rima antiga
E que licença poética repetida é pleonasmo na poesia

E assim Amélia voltou pra casa dela
Casou com o Nozella e usou lingerie amarela
Fazia pudim de Nutella e bolo de moela
E se não viveu feliz para sempre, viveu feliz com a vida dela.

terça-feira, maio 29, 2007

Ode ao frio

O tempo anda louco: em pleno outono, saudamos a chegada do inverno com 3ºC em Porto Alegre. As vendas agradecem afinal, alguém tinha que se aquecer.

Inverno que se aproxima, minha estação do ano favorita: seja bem-vindo! Te receberei como manda o figurino: com longos casacos, cores fechadas e lindas, com muito verde, beringela e cinza. Com muito vinho, chá e caldinho. Com chocolate, edredon e pés juntinhos.

E você, faça sua parte, deixando o clima gelado e os dias azuis, ensolarados. Traga com o vento aquele cheirinho gostoso, de memórias de cada momento saudoso... E fique, bastante tempo, para que eu possa curtir cada momento e me despedir de ti sem lamento.

Rimou?

terça-feira, julho 04, 2006

Ode aos detalhes

Tenho pensado em como, diariamente, deixamos de lado um detalhe importantíssimo de nossas vidas: o tesão. Não me refiro àquele que nos remete ao mais puro significado da palavra – ou pelo menos não apenas – mas aos pequenos detalhes que fazem de nós pessoas plenas e vividas.

Refiro-me a curtir um momento fora do script, a fazer algo pelo simples prazer de fazer, por paixão, sem que necessariamente aquilo lhe traga algum retorno quantitativo. Enfim, a suprir o desejo de transpor a rotina e evitar que nossa vida recaia sobre um clichê.

Sabe aquele momento em que você sente vontade de sentar em um café num final de tarde, aproveitando os últimos raios de sol e saudando a chegada do burburinho noturno, pedir um capuccino e ficar apenas observando o movimento? Ou então experimentar uma receita nova, numa quarta-feira chuvosa às quatro horas da tarde, fingindo ser uma feiticeira de poções culinárias, íntima do cardamomo e do açafrão? Mas você não pode. O relógio não deixa. As mil tarefas que a aguardam na tela do computador não deixam. Ou será que nós mesmas não deixamos? Não, não deixamos. Nos cobramos demais, sabotamos a nós mesmas com medo dos olhares de julgamento dos outros “hum, tomando cafezinho à tarde, hein?” ou pior: do nosso próprio julgamento.

E perdendo esses detalhes, a vida perde o brilho do improviso. Do repente. Do impulso. Perde a graça que tem fazer algo que não está na sua agenda e que se você quisesse, poderia fazer na semana que vem. Mas por que não fazer agora?

E é nisto que estava pensando: cozinhe mesmo que dê errado. Ou que seja só para você. Vá ao cinema sozinha num final de tarde. Compre aquela bolsa amarela que você está pensando com que sapato combinar. E aproveite e compre o sapato também. Monte um arranjo de flores. Enfeite a cozinha com vasinhos de tempero. Vá jantar fora. Faça um jantar em casa e espalhe velinhas perfumadas. Escreva. Faça aulas de dança de salão. Ou se te der prazer faça um cachecol de tricô. Mas faça! Eu vou fazer...

sexta-feira, abril 21, 2006

Crônica 1 - 'Obviedades'

De fato vivemos em tempos de obviedade. As novas tecnologias e em especial a ‘febre orkutiana’ acabaram com o mistério que incitava as relações.
Hoje, podemos classificar uma pessoa num piscar de olhos. Ou num abrir de página.
Ângela Rosa Coutinho. 26 anos. Solteira. Heterossexual. Mora com os pais. Adora animais de estimação. Fresca sim, e daí. Salto alto. Usa blush. Tem TPM. Ama Garopaba. Fonoaudiólogos com orgulho. E pronto. É isso.
Antes, levávamos meses, anos, para conhecer realmente uma pessoa. E era justamente essa a parte divertida. Hoje, não há nem curiosidade.
Sábado. 22h. Barzinho na Padre Chagas. A noite promete. Um amigo comenta com o outro: “Cara, olha que mulher!”. “Ih, essa eu conheço: linda, mas ronca e não fica por ficar”.
Quem nunca mentiu para apimentar uma relação? Ou para fazer aquele homem dos seus sonhos acreditar que você também é a mulher dos sonhos dele? “Acampar? Amo de paixão! Adoro essas aventuras”. Odeio. Cedo ou tarde ele descobre, mas agora, pouco importa.
Fico imaginando como será em 2025. Será que já nasceremos com chips (não me perguntem como... mas talvez com um esperma ultrassônico) que nos permitirá scannear outra pessoa, para que uma tela implantada em nosso dedo polegar possa indicar, além do perfil do “estranho”, um percentual de compatibilidade?
Talvez, mas só sei de uma coisa: o homem da minha vida adora filmes de ficção. Eu só gosto de drama. Tenho mania de arrumação e ele só se encontra na bagunça. Ele adora comida picante, já eu, tenho paladar para os doces. E sim, ele é o homem da minha vida.
Acho que isso já diz muita coisa, não?


Nurit Masijah Gil

quarta-feira, abril 19, 2006

Venusiana Feliz...







A regra é considerada válida por qualquer um daqueles adoráveis seres de Marte (mais conhecidos como 'homens'): "nada mais desestimulante do que calcinhas penduradas no chuveiro". Está em qualquer manual, é só procurar!
Mas eis que sempre encontrei uma forma de me encaixar na exceção a esta regra.
Conterrâneas de Vênus: aquelas calcinhas super confortáveis e horrosas devem ser abolidas de sua gaveta tão logo você entre na fase potencialmente ativa para, digamos... mostrá-las!
Entram na lista:
- Calcinhas com mais de 5 anos;
- Calcinhas com estampa de ursinho, cachorrinho, pintinhos e similares;
- Calcinhas furadas (estas devem ser abolidas com maior senso de urgência);
- Calcinhas de algodão já cheias daquelas irritantes e inevitáveis bolinhas...
Por mais que nós possamos achá-las 'bacanérrimas', sim: elas são horrosas também!
Assim, com a ajuda da tecnologia e da estética, podemos virar o jogo. Foi assim que sempre fiz: nada como uma linda calcinha très chic, da última coleção da Darling, pendurada estratégicamente no chuveiro... Fórmula testada e aprovada: dá certo!
E sempre nas rodas de amigos, quando algum engraçadinho resolve levantar a tão comentada questão-da-calcinha-no-chuveiro, vejo meu marido dar uma risadinha contida e 'plin, plin', ponto pra mim!

terça-feira, março 21, 2006

Ode à nova estação - 2 (capítulo: moda)

Para quem, como eu, estava cansado daquela moda 'modernésima', com cores que foram sem nunca ter sido e peças com o famoso conceito 'fumei um e criei isso' (estampados principalmente nas últimas coleções da Arezzo), a notícia é boa, muito boa:

O Outono/ Inverno está clássico, elegante, très chic!

Saem os saltitantes amarelos, verdes, laranjas e similares e entram os chiquetésimos terrosos, vermelhos (sim, sim, iupiiiii) e mais uma tentativa do beringela. Sai o prata e entra o dourado, principalmente ouro velho. Tudo válido também para a maquiagem...

Os anos 50 entram com tudo, principalmente nas estampas de pois que estão em alta. O oriente também inspira a maioria das coleções.

Ah, e para finalizar, notícia direto dos últimos desfiles de Paris: o preto também chega forte e quase sombrio... Resumindo: sai a menina-moça-meiga-fofa e entra a mulher-decidida-forte e com personalidade! Amei!!

Só resta uma dúvida (fútil, mas digamos que este não esta sendo um momento dos mais intelectuais): será que o rosa finalmente cai? Façam suas apostas!

Ode à nova estação

Quem conhece o verão gaúcho, sabe que não exagerei no título.
Quem não conhece, não se engane com a fama de lugar frio... sim, faz frio, mas o verão é infernal. Imagine uma sauna úmida... agora imagine você com roupa, trabalhando, fazendo supermercado, cozinhando e passeando dentro dela. Pronto, agora você já sabe!

E é assim, com o trauma de quem sobreviveu (à base de Efortil, mas tudo bem) a mais um verão gaúcho, que listo todas as delícias do outono (e se, ao final do inverno, fizer a lista inversa, não pensem que sou louca ou bipolar... mas só quem mora aqui pode saber):

Cachecol. Happy hour com capuccino. Dormir de cobertor. Friozinho com sol. Folhas secas de Plátanos no chão. Vinho. Lareira. Dormir juntinho. Sopa. Foundue. Gramado.

E que venha o frio!