Queridos leitores,
Este blog é um espaço de divertimento, filosofia barata, troca de experiências, comentários regados a hormônios ou qualquer outra caracterização eclética cabível.
Mas hoje, quero aproveitar para fazer uma reclamação séria sobre a telefonia neste país. Já perdi cabelos com a Claro, aguentando verdadeiros absurdos para não ter que mudar meu número telefônico. Mas nada se compara - e por isso quero colocar em espaço público - ao imenso desrespeito da Brasil Telecom com seus clientes.
Não pretendo contar minha experiência com eles, pois ela é extremamente chata e fugiria ao propósito do blog. Mas ela é também extremamente simples. E regada a uma dose cavalar de incompetência do serviço de atendimento.
Que tipo extremo de burrice faz uma empresa, que se diz séria, colocar uma equipe de tamanha limitação, para atender seus clientes, auxiliados por um sistema tosco, que perde todos os seus sete (sim, sete) protocolos de atendimento?
Que tipo de empresa mantém trocentos funcionários para repetir em coro "desculpe senhora, mas eu não posso 'estar fazendo (sic)'" nada?
Que tipo de treinamento faz todos os funcionários com quem você falou (e não foram poucos) passarem informações completamente divergentes?
Que tipo de empresa faz com que você tenha como única alternativa, depois de mais de quinze ligações telefônica, processá-la?
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quarta-feira, agosto 27, 2008
segunda-feira, agosto 18, 2008
Manifesto do Salto Alto
Lembram do 'Manifesto das Pantufas'? Pois é, vou criar o 'Manifesto do Salto Alto''. É. Sou assim mesmo, de lua. E são nestas transições que caem algumas fichas.
O Manifesto do Salto Alto irá contrapor o das pantufas com uma consideração básica: ser dona de casa não é trocar receitas e ficar de pantufas coisíssima nenhuma.
Não que eu tenha me transformado em uma prendada moçoila do lar. Longe disso. Mas virei mais, digamos, efetivamente, uma administradora do mesmo. E vou contar uma coisa: que saco!
Mil vezes os afazeres corridos de uma agenda de negócios e a maquiagem escorrendo no final do dia, que administrar a %^$#@ da empregada que não apareceu na segunda-feira, a *&^%$ da Brasil Telecom que fez o favor de sumir com meu protocolo de atendimento e não cancelar a linha de telefone antiga ou a %$#@ da válvula da descarga que deu tilt.
Veja bem: eu amo a cozinha, os panos de prato bordados, minha batedeira planetária e minha cama arrumada como em loja de enxoval. Mas existe uma diferença nada tênue entre as cositas fofas e colocar efetivamente uma casa a funcionar.
O Manifesto do Salto Alto irá contrapor o das pantufas com uma consideração básica: ser dona de casa não é trocar receitas e ficar de pantufas coisíssima nenhuma.
Não que eu tenha me transformado em uma prendada moçoila do lar. Longe disso. Mas virei mais, digamos, efetivamente, uma administradora do mesmo. E vou contar uma coisa: que saco!
Mil vezes os afazeres corridos de uma agenda de negócios e a maquiagem escorrendo no final do dia, que administrar a %^$#@ da empregada que não apareceu na segunda-feira, a *&^%$ da Brasil Telecom que fez o favor de sumir com meu protocolo de atendimento e não cancelar a linha de telefone antiga ou a %$#@ da válvula da descarga que deu tilt.
Veja bem: eu amo a cozinha, os panos de prato bordados, minha batedeira planetária e minha cama arrumada como em loja de enxoval. Mas existe uma diferença nada tênue entre as cositas fofas e colocar efetivamente uma casa a funcionar.
terça-feira, julho 29, 2008
"Perdido en el corazón de la grande Babylon"
Por favor. A saga do visto americano é um capítulo a parte na vida de um ser humano que almejaria, no máximo, umas comprinhas em Miami.
Criei até uma pasta especial, que em pouco tempo tornou-se a mais cheia da prateleira. Ufe.
Criei até uma pasta especial, que em pouco tempo tornou-se a mais cheia da prateleira. Ufe.
quarta-feira, julho 16, 2008
Sem noção
Que tal contratar uma empresa de limpeza de obra a um preço bem salgadinho por duas faxineiras por dia e no final do expediente sua empregada contar que elas fizeram dois chazinhos da tarde, almoço de duas horas e, pasmem - meia hora de sol com colchão estendido no deck de casa?!
Dá pra imaginar meu nível de surto, né?
Dá pra imaginar meu nível de surto, né?
quarta-feira, julho 02, 2008
terça-feira, junho 24, 2008
Você já sentiu vontade de assassinar alguém?
Teve a feirinha dos atributos lá no reino do céu e dita cuja não se agilizou: perdeu toda oferta de 'educação' e 'competência' e para compensar, acabou se esbaldando na 'arrogância'.
Daí ela nasceu. Daí ela começou a trabalhar. Daí eu, que aproveitei a promoção leve-10-pague-5 da barraquinha de 'paciência' na tal feirinha, resolvi encarar o desafio e trabalhar com ela.
Daí ela deixou claro que também deu um pulinho na barraca de 'desorganização' depois que perdeu a de 'agilidade'.
E daí, depois de alguns anos, minhas dez unidades de 'paciência', compradas a custa de muito esmero, se esvaíram. E daí veio a 'ira', que também tenho em estoque. E a certeza de que eu não preciso aguentar certas mediocridades. E a de que enquanto a dita cuja trabalhar na tal empresa, ela não verá os meus produtos nem em feirinha, nem em caixinha, nem em malinha nenhuma!
E como diria minha avó: "Vai plantar batatas"!
Daí ela nasceu. Daí ela começou a trabalhar. Daí eu, que aproveitei a promoção leve-10-pague-5 da barraquinha de 'paciência' na tal feirinha, resolvi encarar o desafio e trabalhar com ela.
Daí ela deixou claro que também deu um pulinho na barraca de 'desorganização' depois que perdeu a de 'agilidade'.
E daí, depois de alguns anos, minhas dez unidades de 'paciência', compradas a custa de muito esmero, se esvaíram. E daí veio a 'ira', que também tenho em estoque. E a certeza de que eu não preciso aguentar certas mediocridades. E a de que enquanto a dita cuja trabalhar na tal empresa, ela não verá os meus produtos nem em feirinha, nem em caixinha, nem em malinha nenhuma!
E como diria minha avó: "Vai plantar batatas"!
domingo, junho 22, 2008
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
"Mas você nem parece judeu"
Texto de Sérgio Malbergier
Sumaré. São Paulo. Festa. Artista amigo e eu conversamos sobre Nova York, onde ele tinha morado por vários anos. "A cidade é fantástica, mas pra trabalhar é muuuito difícil", diz ele. "Tem uma judaiada (sic) que domina o circuito de arte que, se você não entrar na deles, não consegue nada."
Espantei-me com sua desenvoltura ao vomitar preconceito tão virulento, logo ele, artista tão liberal, de esquerda, defensor de minorias e oprimidos.
"Eu sou judeu", foi minha resposta, fugindo ao bar, enquanto ele tentava se explicar melhor.
Lembrei dessa história ao ler na coluna Mônica Bergamo as explicações da cantora Nana Caymmi para suas supostas declarações publicadas pela revista "Quem". Após ser questionada sobre o sofrimento com um filho usuário de drogas e com seqüelas de acidente de moto, disparou: "Fico me perguntando por que preciso sofrer tanto. Não sou judia, não crucifiquei Jesus!"
Ouvida pela coluna, Nana negou ter feito tal declaração: "Todo jornalista, você me desculpe, deturpa o que a gente fala. Eu falei sobre o filme do Mel Gibson ["A Paixão de Cristo"], sobre pirataria". Ela ainda citou lista de amigos judeus para provar ausência de preconceito.
Já a revista "Quem" disse que a declaração está gravada, não foi descontextualizada nem o nome de Mel Gibson foi citado na entrevista.
O leitor que julgue. Tendo a não acreditar na cantora (apesar de minha admiração absoluta por seu pai, Dorival Caymmi) porque já vi esse filme várias vezes, principalmente a linha "mas você nem parece judeu!" quando revelo minha origem após tiradas antijudaicas.
É chocante e deprimente constatar como o anti-semitismo perdura e é tão tolerado mesmo depois do Holocausto, a matança imoral, impune e quase consensual de 6 milhões de indefesos judeus na Europa sob o regime nazista. (Como é chocante e deprimente constatar como perdura, também, a discriminação e a perseguição de negros depois de todo o sofrimento da escravidão ou outras tantas formas de discriminação contra tantos grupos.)
O anti-semitismo é um camaleão venenoso que se adapta às mais diversas condições de pressão e temperatura. Hoje ele viceja na Europa e no mundo islâmico travestido de anti-sionismo, a vilificação e a deslegitimação de Israel como nação judaica como se o princípio fundador do país fosse racista e não uma forma de defender-se do racismo, de séculos e séculos de perseguição genocida, cujo ápice foi a sofisticação científico-logística desenvolvida pelos alemães e aliados para exterminar os judeus europeus.
Mas o anti-semitismo que parece sair da voz aveludada de Nana Caymmi é de outra cepa, cristã. Já no século 1º, os primeiros líderes da igreja buscaram demonizar os judeus e o judaísmo para ganhar adeptos justamente entre os judeus da Palestina romana e depois por todo o império.
A acusação de deicídio, explícita no Evangelho de Mateus, foi um sucesso histórico. De Santo Agostinho no século 4º ao pai do protestantismo, Martinho Lutero, no século 16, a filósofos do Iluminismo como Voltaire, a biblioteca anti-semita é vasta, crescente e assustadora. E se espalha hoje com as facilidades de comunicação da internet e o anti-semitismo de Estado de vários países árabes.
Nunca esqueço conversas que tive na cozinha da minha avó Pessel. Fugindo da Polônia antes da Segunda Guerra, suas memórias trágicas daquele país a perseguiram e a marcaram.
A mais repetida era a de seu pai, ortodoxo, que foi tentar a vida na indústria têxtil de Nova York nos anos 1930 mas teve de voltar para a Europa porque não topou trabalhar aos sábados na América, desrespeitando o dia sagrado judaico.
"Voltou pra Hitler matar", repetia ela sempre a mesma frase, seca, cortante, "voltou pra Hitler matar", com seu sotaque particular sentada ao redor da mesa de fórmica.
Hitler matou o pai dela, a mãe, a maioria de seus muitos irmãos, tios primos e também a família do meu avô, que, tão traumatizado, ao chegar ao Brasil colocou um i no sobrenome Malberger para disfarçar o judaísmo. Medida prudente que me ajudou em algumas viagens pelo Oriente Médio, onde vez ou outra, diante da pergunta sobre a origem de meu nome, tive de dizer que era belga ou francês para evitar problemas.
Como convencer Nana Caymmi ou mesmo o editor da revista "Quem" (que no mínimo deixou a frase racista ser publicada como se fosse uma frase normal, como outra qualquer) de que os judeus não merecem punição nem sofrimento pela morte de Jesus ou por buscarem um lar em sua terra de origem justamente para se proteger de tanta perseguição?
A tarefa parece impossível, aponta a história. Mas é preciso tentar, porque a mesma história já mostrou aonde pode nos levar.
Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo. Foi editor do caderno Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha Online às quintas.
Sumaré. São Paulo. Festa. Artista amigo e eu conversamos sobre Nova York, onde ele tinha morado por vários anos. "A cidade é fantástica, mas pra trabalhar é muuuito difícil", diz ele. "Tem uma judaiada (sic) que domina o circuito de arte que, se você não entrar na deles, não consegue nada."
Espantei-me com sua desenvoltura ao vomitar preconceito tão virulento, logo ele, artista tão liberal, de esquerda, defensor de minorias e oprimidos.
"Eu sou judeu", foi minha resposta, fugindo ao bar, enquanto ele tentava se explicar melhor.
Lembrei dessa história ao ler na coluna Mônica Bergamo as explicações da cantora Nana Caymmi para suas supostas declarações publicadas pela revista "Quem". Após ser questionada sobre o sofrimento com um filho usuário de drogas e com seqüelas de acidente de moto, disparou: "Fico me perguntando por que preciso sofrer tanto. Não sou judia, não crucifiquei Jesus!"
Ouvida pela coluna, Nana negou ter feito tal declaração: "Todo jornalista, você me desculpe, deturpa o que a gente fala. Eu falei sobre o filme do Mel Gibson ["A Paixão de Cristo"], sobre pirataria". Ela ainda citou lista de amigos judeus para provar ausência de preconceito.
Já a revista "Quem" disse que a declaração está gravada, não foi descontextualizada nem o nome de Mel Gibson foi citado na entrevista.
O leitor que julgue. Tendo a não acreditar na cantora (apesar de minha admiração absoluta por seu pai, Dorival Caymmi) porque já vi esse filme várias vezes, principalmente a linha "mas você nem parece judeu!" quando revelo minha origem após tiradas antijudaicas.
É chocante e deprimente constatar como o anti-semitismo perdura e é tão tolerado mesmo depois do Holocausto, a matança imoral, impune e quase consensual de 6 milhões de indefesos judeus na Europa sob o regime nazista. (Como é chocante e deprimente constatar como perdura, também, a discriminação e a perseguição de negros depois de todo o sofrimento da escravidão ou outras tantas formas de discriminação contra tantos grupos.)
O anti-semitismo é um camaleão venenoso que se adapta às mais diversas condições de pressão e temperatura. Hoje ele viceja na Europa e no mundo islâmico travestido de anti-sionismo, a vilificação e a deslegitimação de Israel como nação judaica como se o princípio fundador do país fosse racista e não uma forma de defender-se do racismo, de séculos e séculos de perseguição genocida, cujo ápice foi a sofisticação científico-logística desenvolvida pelos alemães e aliados para exterminar os judeus europeus.
Mas o anti-semitismo que parece sair da voz aveludada de Nana Caymmi é de outra cepa, cristã. Já no século 1º, os primeiros líderes da igreja buscaram demonizar os judeus e o judaísmo para ganhar adeptos justamente entre os judeus da Palestina romana e depois por todo o império.
A acusação de deicídio, explícita no Evangelho de Mateus, foi um sucesso histórico. De Santo Agostinho no século 4º ao pai do protestantismo, Martinho Lutero, no século 16, a filósofos do Iluminismo como Voltaire, a biblioteca anti-semita é vasta, crescente e assustadora. E se espalha hoje com as facilidades de comunicação da internet e o anti-semitismo de Estado de vários países árabes.
Nunca esqueço conversas que tive na cozinha da minha avó Pessel. Fugindo da Polônia antes da Segunda Guerra, suas memórias trágicas daquele país a perseguiram e a marcaram.
A mais repetida era a de seu pai, ortodoxo, que foi tentar a vida na indústria têxtil de Nova York nos anos 1930 mas teve de voltar para a Europa porque não topou trabalhar aos sábados na América, desrespeitando o dia sagrado judaico.
"Voltou pra Hitler matar", repetia ela sempre a mesma frase, seca, cortante, "voltou pra Hitler matar", com seu sotaque particular sentada ao redor da mesa de fórmica.
Hitler matou o pai dela, a mãe, a maioria de seus muitos irmãos, tios primos e também a família do meu avô, que, tão traumatizado, ao chegar ao Brasil colocou um i no sobrenome Malberger para disfarçar o judaísmo. Medida prudente que me ajudou em algumas viagens pelo Oriente Médio, onde vez ou outra, diante da pergunta sobre a origem de meu nome, tive de dizer que era belga ou francês para evitar problemas.
Como convencer Nana Caymmi ou mesmo o editor da revista "Quem" (que no mínimo deixou a frase racista ser publicada como se fosse uma frase normal, como outra qualquer) de que os judeus não merecem punição nem sofrimento pela morte de Jesus ou por buscarem um lar em sua terra de origem justamente para se proteger de tanta perseguição?
A tarefa parece impossível, aponta a história. Mas é preciso tentar, porque a mesma história já mostrou aonde pode nos levar.
Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo. Foi editor do caderno Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha Online às quintas.
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
"Depois de ser proibida de entrar na avenida com um carro que teria uma representação do ditador nazista Adolf Hitler como destaque, em cima da pilha de corpos nus e esqueléticos, a escola de samba Viradouro promete fazer uma crítica velada à decisão da Justiça..."
E depois reclamam quando chamam o Brasil de 'país do carnaval'.
E depois reclamam quando chamam o Brasil de 'país do carnaval'.
sábado, janeiro 26, 2008
Dúvida
Postar no blog alheio um comentário anônimo claramente ignorante, mal escrito e com erros de português é o cúmulo da mediocridade ou da falta do que fazer?
Para evitar lixo, a partir de hoje os comentários serão moderados (desculpem os que nada tem a ver com isso).
Obs.: Alê e outro participante anônimo, obrigada!
Para evitar lixo, a partir de hoje os comentários serão moderados (desculpem os que nada tem a ver com isso).
Obs.: Alê e outro participante anônimo, obrigada!
quinta-feira, agosto 31, 2006
A direção do Sindicato dos Trabalhadores da USP enlouqueceu?
Por: Miguel Fernandes, Jornalista - Rio de Janeiro
Que história é essa conclamar "todos os povos" para o extermínio do Estado de Israel? Isso acaso é pacifismo de vocês? Se é, eu me ponho a imaginar como seria o seu belicismo!...
Alguém aí já parou para raciocinar sobre o que significa o "fim" de um país? O que vocês acham que é isso? Vocês estão gritando exortações à guerra! Guerra de extermínio! Que esquerda é essa?!
Qual foi o gênio, certamente muito lido em literatura nazi-fascista, a me vir com essa conversa ensandecida de "subserviência a poderosas forças dos genocidas judeus"? Estão loucos, todos vocês?
Deixa eu avisar: no Oriente Médio esse tipo de discurso se repete, faz parte da paisagem, encontra eco e unanimidade. Um sindicato, um governo, clérigos, escolas, universidades -- até creches! -- podem dizer isso sem maiores problemas. No Oriente Médio, exortações bélicas ao extermínio de "judeus belicistas" funciona. Mas isto aqui, se vocês ainda não perceberam, isto aqui ainda é Brasil, ainda é Ocidente. Embora os seus amigos do Hizbollah gostem desse tipo de fraseado, não dá pra achar que isto aqui é o Líbano ou a Síria, o Irã ou a Arábia Saudita.
Aqui ainda não há disso. Ainda. Mas, pelo que vejo, vocês têm todo interesse em trazer a moda para o Brasil. Todo interesse em importar choques étnicos/religiosos para este país. Muito bem, é o jogo sujo de vocês. Joguem-no.
Mas pelo amor de Deus, não me venham sujar a palavra "pacifismo". Pelo menos tenham a decência de assumir o próprio discurso belicista, exterminacionista.
Que história é essa conclamar "todos os povos" para o extermínio do Estado de Israel? Isso acaso é pacifismo de vocês? Se é, eu me ponho a imaginar como seria o seu belicismo!...
Alguém aí já parou para raciocinar sobre o que significa o "fim" de um país? O que vocês acham que é isso? Vocês estão gritando exortações à guerra! Guerra de extermínio! Que esquerda é essa?!
Qual foi o gênio, certamente muito lido em literatura nazi-fascista, a me vir com essa conversa ensandecida de "subserviência a poderosas forças dos genocidas judeus"? Estão loucos, todos vocês?
Deixa eu avisar: no Oriente Médio esse tipo de discurso se repete, faz parte da paisagem, encontra eco e unanimidade. Um sindicato, um governo, clérigos, escolas, universidades -- até creches! -- podem dizer isso sem maiores problemas. No Oriente Médio, exortações bélicas ao extermínio de "judeus belicistas" funciona. Mas isto aqui, se vocês ainda não perceberam, isto aqui ainda é Brasil, ainda é Ocidente. Embora os seus amigos do Hizbollah gostem desse tipo de fraseado, não dá pra achar que isto aqui é o Líbano ou a Síria, o Irã ou a Arábia Saudita.
Aqui ainda não há disso. Ainda. Mas, pelo que vejo, vocês têm todo interesse em trazer a moda para o Brasil. Todo interesse em importar choques étnicos/religiosos para este país. Muito bem, é o jogo sujo de vocês. Joguem-no.
Mas pelo amor de Deus, não me venham sujar a palavra "pacifismo". Pelo menos tenham a decência de assumir o próprio discurso belicista, exterminacionista.
quarta-feira, julho 26, 2006
Caros senhores terroristas
Artigo publicado na Folha On Line desta segunda-feira, dia 24/07/06 por João Pereira Coutinho.
Começou a época das manifestações. Leio agora que, só em Londres, milhares de pacifistas saíram à rua para marchar contra a guerra no Oriente Médio. Nada a opôr. Marchar contra a guerra é simpático. Mais ainda: é cómodo. Você pode não saber nada sobre o conflito, nada sobre as razões do conflito, nada sobre as consequências do conflito. Mas é contra. Ser contra é a absolvição do pensamento: uma forma tranquila de colocar a flor na lapela do casaco e mostrar a sua vaidade moral ao mundo. Hitler invadiu a Polônia, exterminou milhões de judeus e procurou subjugar um continente inteiro? O pacifista é contra. Contra quê? Contra tudo: contra Hitler, contra Churchill, contra Roosevelt. Contra Aliados, contra nazistas. E quando os nazistas entram lá em casa e se preparam para matar o pacifista, ele dispara, em tom poético: "Não me mate! Você não vê que eu sou contra?" É provável que o nazista se assuste com a irracionalidade do pacifista e desapareça, correndo.
Capitão: "Eu não mandei você matar o inimigo?"
Soldado: "Sim, meu capitão. Mas ele era contra. Fiquei com medo."
O pior é que os pacifistas que saíram à rua não são contra tudo. Eles só são contra algumas coisas, o que torna o caso mais complexo e, do ponto de vista paranóico, muito mais interessante. Lemos as palavras de ordem e ficamos esclarecidos. "Não ataquem o Irã". "Liberdade para a Palestina". "Tirem as mãos do Líbano". Imagino que alguém deixou em casa as frases sacramentais. "Irã só quer paz". "Hizbollah é gente séria". "Israel é racista; não gosta de mísseis". Essa eu entendo. Israel retirou do Líbano em 2000. Retirou de Gaza em 2005. O Líbano e Gaza, depois da retirada, transformaram-se em parque de diversões para terroristas do Hizbollah e do Hamas (leia-se: do Irã e da Síria) que tinham por hábito sequestrar soldados israelenses e lançar rockets para o interior do estado judaico. Israel, inexplicavelmente, não gostava de apanhar com mísseis na cabeça, marca visível da sua intolerância. Os pacifistas de Londres deveriam denunciar essa intolerância: um Estado que retira dos territórios ocupados e, ainda por cima, não gosta de ser bombardeado, não merece o respeito da "comunidade internacional".
E a "comunidade internacional" não respeita. Desde o início das hostilidades, no sul do Líbano, regressaram acusações conhecidas de "desproporção" e "matança indiscriminada de civis". Apoiado: as acusações, não os ataques. Se Israel não gosta de ser bombardeado, deveria refrear seus ímpetos belicistas e escrever uma carta aos senhores terroristas. Para explicar o desconforto da situação. Exemplo:
"Caros senhores terroristas,
Boas tardes.
Nós sabemos o quanto vocês gostam de bombardear as nossas cidades, apesar de termos voluntariamente retirado dos vossos territórios. Longe de nós condenar a forma gentil como gostais de matar o tempo. Mas lançar rockets para o interior de Israel não mata só o tempo; também mata pessoas que estão nas ruas, nos mercados, nos cafés. Seria possível parar com esse desporto?
Nós, judeus, sabemos que o pedido é excessivo, na medida em que, segundo opiniões dos senhores terroristas, que nós compreendemos e até respeitamos, desde 1948, ano da fundação de Israel, que nós não temos qualquer direito à existência. Mas não seria possível chegar a um entendimento, apesar da palavra 'entendimento' ser ofensiva para a cultura dos senhores terroristas? Dito ainda de outra forma: não seria possível que o lançamento de rockets ocorresse apenas em dias salteados? Por exemplo: às segundas, quartas e sextas? Os sequestros seriam apenas às terças e quintas, de preferência mais ao final da tarde, depois da saída do trabalho, para deixar o jantar já pronto.
O pedido pode parecer excessivo mas gostaríamos de lembrar aos senhores terroristas --e, por favor, não vejam nas nossas palavras qualquer crítica-- que nós tivemos essa gentileza: avisar as populações civis de que o sul do Líbano seria atacado, pedindo-lhes que se retirassem. Estamos conscientes, e por isso nos penitenciamos, que esse aviso às populações civis acaba por retirar valioso material humano que os senhores terroristas gostam de usar como escudo para exibir na televisão. Mas não seria possível substituir seres humanos por sacos de areia, mais fáceis de usar e controlar?
Uma vez mais, queiram-nos perdoar a ousadia da sugestão. Estamos certos de que a racionalidade das nossas propostas será recebida com a irracionalidade dos vossos propósitos."
Depois, era só enviar a carta e, estou certo, esperar pela resposta. Que viria, como vem sempre, voando pelos ares.
Começou a época das manifestações. Leio agora que, só em Londres, milhares de pacifistas saíram à rua para marchar contra a guerra no Oriente Médio. Nada a opôr. Marchar contra a guerra é simpático. Mais ainda: é cómodo. Você pode não saber nada sobre o conflito, nada sobre as razões do conflito, nada sobre as consequências do conflito. Mas é contra. Ser contra é a absolvição do pensamento: uma forma tranquila de colocar a flor na lapela do casaco e mostrar a sua vaidade moral ao mundo. Hitler invadiu a Polônia, exterminou milhões de judeus e procurou subjugar um continente inteiro? O pacifista é contra. Contra quê? Contra tudo: contra Hitler, contra Churchill, contra Roosevelt. Contra Aliados, contra nazistas. E quando os nazistas entram lá em casa e se preparam para matar o pacifista, ele dispara, em tom poético: "Não me mate! Você não vê que eu sou contra?" É provável que o nazista se assuste com a irracionalidade do pacifista e desapareça, correndo.
Capitão: "Eu não mandei você matar o inimigo?"
Soldado: "Sim, meu capitão. Mas ele era contra. Fiquei com medo."
O pior é que os pacifistas que saíram à rua não são contra tudo. Eles só são contra algumas coisas, o que torna o caso mais complexo e, do ponto de vista paranóico, muito mais interessante. Lemos as palavras de ordem e ficamos esclarecidos. "Não ataquem o Irã". "Liberdade para a Palestina". "Tirem as mãos do Líbano". Imagino que alguém deixou em casa as frases sacramentais. "Irã só quer paz". "Hizbollah é gente séria". "Israel é racista; não gosta de mísseis". Essa eu entendo. Israel retirou do Líbano em 2000. Retirou de Gaza em 2005. O Líbano e Gaza, depois da retirada, transformaram-se em parque de diversões para terroristas do Hizbollah e do Hamas (leia-se: do Irã e da Síria) que tinham por hábito sequestrar soldados israelenses e lançar rockets para o interior do estado judaico. Israel, inexplicavelmente, não gostava de apanhar com mísseis na cabeça, marca visível da sua intolerância. Os pacifistas de Londres deveriam denunciar essa intolerância: um Estado que retira dos territórios ocupados e, ainda por cima, não gosta de ser bombardeado, não merece o respeito da "comunidade internacional".
E a "comunidade internacional" não respeita. Desde o início das hostilidades, no sul do Líbano, regressaram acusações conhecidas de "desproporção" e "matança indiscriminada de civis". Apoiado: as acusações, não os ataques. Se Israel não gosta de ser bombardeado, deveria refrear seus ímpetos belicistas e escrever uma carta aos senhores terroristas. Para explicar o desconforto da situação. Exemplo:
"Caros senhores terroristas,
Boas tardes.
Nós sabemos o quanto vocês gostam de bombardear as nossas cidades, apesar de termos voluntariamente retirado dos vossos territórios. Longe de nós condenar a forma gentil como gostais de matar o tempo. Mas lançar rockets para o interior de Israel não mata só o tempo; também mata pessoas que estão nas ruas, nos mercados, nos cafés. Seria possível parar com esse desporto?
Nós, judeus, sabemos que o pedido é excessivo, na medida em que, segundo opiniões dos senhores terroristas, que nós compreendemos e até respeitamos, desde 1948, ano da fundação de Israel, que nós não temos qualquer direito à existência. Mas não seria possível chegar a um entendimento, apesar da palavra 'entendimento' ser ofensiva para a cultura dos senhores terroristas? Dito ainda de outra forma: não seria possível que o lançamento de rockets ocorresse apenas em dias salteados? Por exemplo: às segundas, quartas e sextas? Os sequestros seriam apenas às terças e quintas, de preferência mais ao final da tarde, depois da saída do trabalho, para deixar o jantar já pronto.
O pedido pode parecer excessivo mas gostaríamos de lembrar aos senhores terroristas --e, por favor, não vejam nas nossas palavras qualquer crítica-- que nós tivemos essa gentileza: avisar as populações civis de que o sul do Líbano seria atacado, pedindo-lhes que se retirassem. Estamos conscientes, e por isso nos penitenciamos, que esse aviso às populações civis acaba por retirar valioso material humano que os senhores terroristas gostam de usar como escudo para exibir na televisão. Mas não seria possível substituir seres humanos por sacos de areia, mais fáceis de usar e controlar?
Uma vez mais, queiram-nos perdoar a ousadia da sugestão. Estamos certos de que a racionalidade das nossas propostas será recebida com a irracionalidade dos vossos propósitos."
Depois, era só enviar a carta e, estou certo, esperar pela resposta. Que viria, como vem sempre, voando pelos ares.
terça-feira, julho 11, 2006
Democracia? I don´t think so
Terça, 11 de julho de 2006
Maioria do eleitorado não tem primeiro grau completo
Mais da metade dos eleitores brasileiros não chegou a terminar o ciclo fundamental de oito anos de ensino, segundo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dessa maioria, 6,5% são analfabetos, quase 17% sabem ler e escrever e 34% têm primeiro grau incompleto. Os dados constam da ficha cadastral do TSE. Ao retirar seu título de eleitor, o cidadão é obrigado a informar o grau de instrução. Por isso, o TSE informa que os dados podem estar desatualizados.
Cerca de um terço dos votantes 28% está cursando ou terminou o segundo grau. Somente um em cada vinte eleitores 5,65% dos eleitores cursa ou terminou o ensino superior.
Mais da metade do eleitorado tem de 25 a 59 anos. E os eleitores com idade entre 17 e 24 anos é de quase 20%
www.terra.com.br
Maioria do eleitorado não tem primeiro grau completo
Mais da metade dos eleitores brasileiros não chegou a terminar o ciclo fundamental de oito anos de ensino, segundo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dessa maioria, 6,5% são analfabetos, quase 17% sabem ler e escrever e 34% têm primeiro grau incompleto. Os dados constam da ficha cadastral do TSE. Ao retirar seu título de eleitor, o cidadão é obrigado a informar o grau de instrução. Por isso, o TSE informa que os dados podem estar desatualizados.
Cerca de um terço dos votantes 28% está cursando ou terminou o segundo grau. Somente um em cada vinte eleitores 5,65% dos eleitores cursa ou terminou o ensino superior.
Mais da metade do eleitorado tem de 25 a 59 anos. E os eleitores com idade entre 17 e 24 anos é de quase 20%
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terça-feira, maio 16, 2006
Desmandos e Desgovernos
Recebi um texto por e-mail e retirei esta frase. Acho que resume bem o absurdo dos últimos dias:
Não se enganem, estamos vivendo um estado de terrorismo urbano, imposto por bandidos, que como declararam no Estadão de domingo, "resolveram mostrar ao Estado e ao Poder Público que quem manda são eles".
Pior para mim foi que, além da saudades, minha mãe que voltou ontem para SP ficou perdida num aeroporto com ameaça de bomba, numa cidade com trânsito caótico e sem celular!!
Não se enganem, estamos vivendo um estado de terrorismo urbano, imposto por bandidos, que como declararam no Estadão de domingo, "resolveram mostrar ao Estado e ao Poder Público que quem manda são eles".
Pior para mim foi que, além da saudades, minha mãe que voltou ontem para SP ficou perdida num aeroporto com ameaça de bomba, numa cidade com trânsito caótico e sem celular!!
quarta-feira, março 22, 2006
A ignorância e o poder
"Muita coisa aconteceu enquanto eu estava em férias, mas o que me deixou mais impressionada não foi a vitalidade dos Stones, nem a reação desmedida às charges dos dinamarqueses, nem as risadinhas nervosas na platéia de O Segredo de Brokeback Mountain e tampouco a temperatura do mar (quem diria, a natureza foi quem deu o primeiro passo para "glamurizar" nosso litoral). O que me deixou realmente de queixo caído foram as recentes pesquisas de opinião que dão como certa a reeleição de Lula. Quando começar a propaganda política na tevê é provável que o cenário mude, mas estas pesquisam revelam algo desolador: o povo ignora tudo o que foi fartamente noticiado em 2005, ignora todas as acusações de corrupção, todas as evidências de gatunagem. Não estou dizendo que o povo não se importa. Ele ignora. Não sabe ao certo o que aconteceu. Por quê? Porque não lê.
Nós, assinantes de jornais e revistas, fazemos parte de um Brasil mínimo, de um Brasil ilhado, apartado deste outro Brasil que decide: o Brasil de quem não estudou, de quem ganha uma merreca de salário e que mal sabe assinar o nome. Para este Brasil, um litro de leite a mais no final do mês é o que conta. Dane-se a moral e a ética. Pra quem nunca teve nada, um pouquinho mais do que nada significa fartura e desenvolvimento.
O que me desilude não é o resultado da próxima eleição, mas o resultado da ignorância, que tem cargo vitalício neste país. Não há como o Brasil avançar. O Lula ser reeleito depois de tudo o que se divulgou no ano passado é a maior prova de que estamos condenados ao "rouba mas faz". O presidente viaja em campanha pelos cafundós deste país de iletrados, diz meia-dúzia de frases feitas no microfone da praça central e pronto: não há mensalão, valerioduto, dirceus, dudas, nada. Tudo ficção científica.
Qualquer político sabe que a única saída para o Brasil é a educação. Sem colocar todas as crianças e adolescentes dentro de uma escola, não haverá dignidade possível nem agora nem jamais. Dinheiro há para isso, mas qual a vantagem? Melhor deixar tudo como está, deixar que os votos sigam sendo frutos da ilusão, e não da consciência.
FHC, Serra, Alckmin, Rigotto, Garotinho, Lula, todos sabem que é preciso deixar a ganância e a politicagem de lado, arregaçar as mangas e acabar com o analfabetismo e as filas indecentes nos postos de saúde. Que é preciso dar um tempo para a própria vaidade e focar no que interessa, moralizar esta pátria sem pai nem mãe. Mas quando o discurso eleitoreiro acaba, segue tudo igual, o mesmo deslumbre com o poder e a mesma falta de comprometimento.
Se as eleições fossem hoje, Lula seria reeleito mesmo com tudo o que se soube. O problema é que quase ninguém soube. O povo não entendeu o que aconteceu. Se tivesse compreendido alguma coisa, daria uma resposta nas urnas, mas não dará porque não sabe nem mesmo o que está sendo perguntado. Jamais ficará sabendo o que se passa enquanto não ler, e jamais lerá se os governantes não quiserem que ele leia. Vida longa à ignorância.
Este é o meu estado de espírito recém voltando de férias. Imagina quando eu estiver estressada."
Martha Medeiros
Nós, assinantes de jornais e revistas, fazemos parte de um Brasil mínimo, de um Brasil ilhado, apartado deste outro Brasil que decide: o Brasil de quem não estudou, de quem ganha uma merreca de salário e que mal sabe assinar o nome. Para este Brasil, um litro de leite a mais no final do mês é o que conta. Dane-se a moral e a ética. Pra quem nunca teve nada, um pouquinho mais do que nada significa fartura e desenvolvimento.
O que me desilude não é o resultado da próxima eleição, mas o resultado da ignorância, que tem cargo vitalício neste país. Não há como o Brasil avançar. O Lula ser reeleito depois de tudo o que se divulgou no ano passado é a maior prova de que estamos condenados ao "rouba mas faz". O presidente viaja em campanha pelos cafundós deste país de iletrados, diz meia-dúzia de frases feitas no microfone da praça central e pronto: não há mensalão, valerioduto, dirceus, dudas, nada. Tudo ficção científica.
Qualquer político sabe que a única saída para o Brasil é a educação. Sem colocar todas as crianças e adolescentes dentro de uma escola, não haverá dignidade possível nem agora nem jamais. Dinheiro há para isso, mas qual a vantagem? Melhor deixar tudo como está, deixar que os votos sigam sendo frutos da ilusão, e não da consciência.
FHC, Serra, Alckmin, Rigotto, Garotinho, Lula, todos sabem que é preciso deixar a ganância e a politicagem de lado, arregaçar as mangas e acabar com o analfabetismo e as filas indecentes nos postos de saúde. Que é preciso dar um tempo para a própria vaidade e focar no que interessa, moralizar esta pátria sem pai nem mãe. Mas quando o discurso eleitoreiro acaba, segue tudo igual, o mesmo deslumbre com o poder e a mesma falta de comprometimento.
Se as eleições fossem hoje, Lula seria reeleito mesmo com tudo o que se soube. O problema é que quase ninguém soube. O povo não entendeu o que aconteceu. Se tivesse compreendido alguma coisa, daria uma resposta nas urnas, mas não dará porque não sabe nem mesmo o que está sendo perguntado. Jamais ficará sabendo o que se passa enquanto não ler, e jamais lerá se os governantes não quiserem que ele leia. Vida longa à ignorância.
Este é o meu estado de espírito recém voltando de férias. Imagina quando eu estiver estressada."
Martha Medeiros
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